Estágio de Inverno em Pitões das Júnias

(Último treino do ano de 2004 e primeiro do ano de 2005)

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Depois de sete horas de viagem, atulhados até ao queixo em bagagem, finalmente chegamos a Pitões das Júnias. Pitões é uma terreola muito pequena e muito tradicional, com casinhas feitas de pedra sobre pedra. A população é idosa mas, por aqui e ali encontram-se umas quantas crianças que representam a esperança de continuidade da aldeia.

Começamos o dia 31 com um treino de suburi, kata seguido de um estudo detalhado dos kentaijo antigos, tal como Sensei os demonstrou nos seus primeiros livros. Este estudo serviu para mostrar aos praticantes que qualquer adversário pode ser mortal, mesmo com pouco conhecimento do sabre e do pau. Por outro lado, serviu para mostrar que o nível a que Sensei apresenta os kentaijo exige que os praticantes tenham um nível muito alto de prática de Aikido. Exige muito treino de suburi e de prática de awase.

Frases como “baixem as ancas”, “o corpo deve de assumir hito-e-mi”, “não esqueçam a aplicação do hanmi”, “embeber os  braços com kokyu”, etc, tiveram de ser relembradas ou seria impossível praticar as técnicas avançadas durante este estágio.

Além dos kentaijo antigos, o mestre demonstrou, e nós praticamos, algumas das técnicas com as quais O’Sensei venceu combates contra outros mestres de artes marciais. Também se praticou o kata de 13 movimentos. Ou melhor, praticamos os 3 primeiros movimentos do kata e a sua adaptação com ken, com jo e com taijutsu. Este estudo demorou dois treinos completos devido à sua complexidade.

O último treino foi de futari dori e de sannin gake. Em especial estudaram-se técnicas de ushiro waza. O tori é atacado por um adversário por detrás e ao mesmo tempo dois outros atacantes atacam pela frente com tsuki.

O tempo esteve absolutamente fabuloso durante o estágio inteiro e só no último treino é que veio um intenso nevoeiro e frio de rachar. Contudo, devido ao esforço exercido na execução das técnicas, a duração deste treino foi breve.

A última parte do estágio, claro está, acabou com a limpeza da casa de abrigo. Não há Aikido sem osoji.

Alguns momentos de realce, além dos treinos, foram a sopinha quentinha no restaurante “O Preto”, as grandes caminhadas, os cânticos do prof. Alberto Silva de Torres Vedras, a gaita de beiços do Luís Gomes e as histórias de O’sensei e do Grande Mestre Saito.

Estamos agradecido à Mónica Sousa que nos proporcionou o contacto para conseguirmos a casa de abrigo, ao Diogo pelo seu conhecimento da zona, ao Rui Gomes pelo perfeito planeamento dos passeios e ao Dr. Manuel pelo presunto, paio, vinho, patê, etc. Todos estão de parabéns pelo seu comportamento e empenho no treino.

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