Estágio de Verão na Covilhã
2005
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O estágio começou com estudos do Aikiken fora do comum. Nos últimos anos, o
Grande Mestre Saito, tinha por hábito fazer este tipo de treino, que
consiste em cortar adversários com os olhos fechados.
Para poder praticar desta forma, começou-se por executar o suburi número 1
do Aikiken. Este suburi, por ser um corte simples, vertical, torna-se muitas
vezes aborrecido de executar. Mesmo assim, é o suburi mais importante, sem o
qual o aluno nunca compreenderá a eficácia do corte de um sabre. Por se tornar
um pouco aborrecido pratica-lo, principalmente para principiantes, executámo-lo
de inúmeras formas. No final deste treino, os alunos, sem notar, fizeram mais
de 1500 cortes com o bokken. Após esta prática passou-se ao estudo mais
profundo do corte com os olhos fechados.
Depois deste primeiro treino exaustivo, todos tomamos o pequeno-almoço na
Quinta da Caravela, onde também se situa a fábrica de maior produção de Tofú
de Portugal, pertencente ao professor Carlos Ricardo.
A seguir ao pequeno-almoço voltámos ao local de treino para continuar com
o Aikijo. No que respeita ao Aikijo, treinámos o Kata de 31, com adversário ou
seja o Kata Kumijo. Contudo estudámos a forma de Hitohiro Sensei que consiste
em lutar contra quatro adversários. Como o Kate de 31 movimentos é grande,
estudámo-lo até ao final do segundo treino.
Antes do almoço, e já todos exaustos e suados por causa do treino e do calor
incrível que se fez sentir, fomos todos à praia fluvial da quinta onde tomámos
inúmeros banhos refrescantes.
Na tarde desse dia deslocámo-nos ao Dojo central da Covilhã para o treino
da noite. O treino começou com um "special Keiko" sobre o tema
"Quando vamos executar uma técnica e o nosso parceiro tenta pará-la."
Depois de um breve descanso, começámos a estudar formas pouco ortodoxas de
"Tanken Dori" (tanto dori) ou seja, defesa contra faca. Antes de
acabar o treino, praticámos a aplicação de técnicas e/ou princípios de
taijutsu, mas com a faca. Ou seja, utilizar, por exemplo, o corte da faca para
aplicar a técnica conhecida como Irimi nage. Por ser um treino mais secreto, não
podemos falar muito dele.
À noite jantámos todos juntos na Quinta e conversámos até altas horas da
noite sobre artes marciais.
No dia seguinte pela manhã treinámos várias variações do primeiro e do
segundo kumitachi. Primeiro praticámos as variações utilizando o sabre contra
o sabre e depois utilizámos esses mesmos movimentos passando para técnicas
de taijutsu. Ao conjunto destes movimentos Sensei costumava chamar
"Kumitachi no Henka".
À noite, no dojo da Covilhã, continuámos com o taijutsu. Primeiro estudámos
a aplicação das técnicas básicas de taijutsu para defesa pessoal. Este
estudo é deveras interessante pois os alunos podem assim perceber que o estudo
das técnicas de base tem realmente aplicação prática “na rua”.
Deste treino passámos para um treino de defesa contra sabre, ou "tachi
dori". Logo a seguir estudámos defesa contra o pau ou "jo dori".
Contudo, o estudo foi delineado para se poderem utilizar estas técnicas para
"Jyu Waza" contra adversários com armas. A prática de jyu waza é
pouco estudada por ser exaustiva. "Jyu waza" significa: técnica
livre. Isto quer dizer que o aikidoka executa diferentes técnicas conforme os
ataques, de forma arbitrária. Este estudo em si é muito difícil contra um
adversário e contra dois sem armas. Contudo, nos exames de 3º Dan, os
examinandos tem de demonstrar a prática contra adversários, que atacam
simultaneamente com o jo, o bokken e o tanken.
Assim, depois treinámos, um jyu waza intenso até ao final do treino da
noite, utilizando as técnicas mais rápidas de tachi dori e jo dori que havíamos
estudado.
À noite, na quinta, tivemos um excelente repasto de leitão assado,
oferecido por um dos locais ao Professor Carlos Ricardo. Os vegetarianos, claro
está não foram esquecidos e foi de notar a fantástica salada de tofú
confeccionada pela Sr.ª Fernanda Ricardo. Além dos vários pratos que as
senhoras e alguns praticantes confeccionaram durante a estadia, ainda temos de
realçar o pão de mistura de cereais também confeccionado na altura por esta
senhora, esposa do professor Carlos.
No dia seguinte acabamos o estágio praticando variações dos dois
primeiros kumitachi, mas de uma forma que Sensei só mostrou umas poucas vezes
durante a sua vida. Estas variações, algumas perigosas (e daí a sua
vantagem), aplicam-se aumentando a nossa velocidade de defesa, de forma a que o
nosso sabre "seja mais rápido do que o pensamento do adversário."
Por ser pouco praticado, tornou-se de imediato um treino interessante para
todos.
Durante este estágio pudemos notar:
Uma nuvem negra pairou sobre o estágio, os fogos que se avistavam ao longe,
tendo um deles lavrado durante todo o decorrer do estágio.
Os tempos de lazer, como o mergulhar nas águas frescas do rio, o conversar
relaxadamente ao ar livre sobre o céu estrelado, com um copinho na mão, a
passagem do filme "A Sombra do Samurai", e o passeio de três horas
pela serra dos Penesinhos, foram de excelente qualidade.
Houve quem ficasse também acampado como os irmãos Cotovios do Kami Aiki
Dojo, os irmãos Tapia e o Bruno e o professor Pedro Pereira que veio da
Madeira para o estágio.
Agradecemos a presença do professor Jorge que veio da China e participou
com alegria e boa técnica neste estágio.
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